O QUE É O SWÁSTHYA YÔGA?
SwáSthya, em sânscrito, língua morta da Índia, significa auto-suficiência (swa = seu próprio). Também embute os significados de saúde, bem estar, conforto, satisfação. Pronuncia-se “suástia”. Em hindi, a língua mais falada na Índia, significa simplesmente saúde.
Nesse caso, com o sotaque hindi, pronuncia-se “suásti”. Não permita que pessoas pouco informadas confundam SwáSthya, sânscrito, método antigo, com SwáSthya (“suásti”), hindi, que daria uma interpretação equivocada com conotação terapêutica.
Consulte a respeito o Sanskrit-English Dictionary, de Sir Monier-Williams, o mais respeitado dicionário de sânscrito.
A DEFINIÇÃO FORMAL DO NOSSO YÔGA
SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré-Clássico, o Yôga mais completo do mundo.
A ESTRUTURA DO SWÁSTHYA YÔGA

O MÉTODO CONSISTE EM TRÊS ETAPAS:
1. A etapa inicial – tem por objetivo preparar o praticante para suportar o empuxo evolutivo que ocorrerá na etapa final.
O resultado desse preparo prévio é o reforço da estrutura biológica com um aumento sensível e imediato da vitalidade.
2. A etapa medial – tem por objetivo a purificação mais intensiva e energização da libido.
3. A etapa final – tem por objetivo despertar a energia kundaliní, com o consequente desenvolvimento dos chakras, seus poderes paranormais e, finalmente, a eclosão da hiperconsciência chamada samádhi.
Noutras palavras, a etapa inicial visa a proporcionar saúde e força suficientes para que o praticante aguente as prodigiosas alterações biológicas resultantes de uma evolução pessoal acelerada que ocorrerá na etapa final.
Por isso, a etapa inicial tende a proporcionar todos aqueles proverbiais efeitos do Yôga. É que a fase final vai trabalhar para tornar o praticante uma pessoa fora da faixa da normalidade, acima dela.
Se alguém está fora dessa faixa para baixo, a fase inicial vai içá-lo até à normalidade plena, conferindo-lhe uma cota ótima de saúde e vitalidade.
Daí poderemos fazer um bom trabalho de desenvolvimento interior equilibrado e seguro, no qual o praticante vai conquistar a evolução de um milhão de anos em uma década.
Para isso, há que adquirir estrutura.
Por esse motivo, há uma legião de pessoas que adotam o Yôga apenas visando os benefícios propiciados pela prática introdutória e por aí ficam, satisfeitas com os ótimos resultados obtidos.
I. CARACTERÍSTICAS DO SWÁSTHYA
1) ASHTÁNGA SÁDHANA
A característica principal do SwáSthya Yôga é sua prática ortodoxa denominada ashtánga sádhana (ashta = oito; anga = parte; sádhana = prática). Trata-se de uma prática integrada em oito partes, a saber: mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá,
samyama. Estes elementos serão explicados em detalhe mais adiante.
2) REGRAS GERAIS DE EXECUÇÃO
Uma das mais notáveis contribuições históricas da nossa sistematização foi o advento das regras gerais, as quais não são encontradas em nenhum outro tipo de Yôga... a menos que venham a ser incorporadas a partir de agora, por influência do SwáSthya Yôga. Já temos testemunhado exemplos dessa tendência em aulas e textos de vários tipos de Yôga em diferentes países, após o contato com o SwáSthya.
É fácil constatar que as regras e demais características do nosso método não eram conhecidas nem utilizadas anteriormente: basta consultar os livros das várias modalidades de Yôga publicados antes da codificação do SwáSthya. Em nenhum deles vai ser encontrada referência alguma às regras gerais de execução.
Por outro lado, podemos demonstrar que as regras gerais constituíram apenas uma descoberta e não uma adaptação, pois sempre estiveram presentes subjacentemente. Tome para exemplo alguns exercícios quaisquer, tais como uma anteflexão (paschimôttanásana), uma retroflexão (bhujangásana) e uma lateroflexão (trikônásana), e execute-os de acordo com as regras do SwáSthya Yôga. Depois consulte um livro de Hatha Yôga e faça as mesmas posições seguindo suas extensas descrições para cada ásana. Você vai se surpreender: as execuções serão equivalentes em mais de 90%
dos casos. Portanto, existe um padrão de comportamento. Esse padrão foi identificado por nós e sinteti-zado na forma de regras gerais.
Tal fato passou despercebido a tantas gerações de Mestres do mundo inteiro durante milhares de anos e foi descoberto somente na entrada do terceiro milênio da Era Cristã, da mesma forma como a lei da gravidade passou sem ser registrada pelos grandes sábios e físicos da Grécia, Índia, China, Egito e do mundo todo, só vindo a ser descoberta bem recentemente por Newton. Assim como Newton não inventou a gravidade, também não inventamos as regras gerais de execução. Elas sempre estiveram lá, mas ninguém notou.
No SwáSthya Yôga as regras ajudam bastante, simplificando a aprendizagem e acelerando a evolução do praticante. Ao instrutor, além disso, poupa um tempo precioso, habitualmente gasto com descrições e instruções desnecessárias.
3) SEQÜÊNCIAS COREOGRÁFICAS
Outra importante característica do SwáSthya Yôga é o resgate do conceito primitivo de treinamento, que consiste em execuções mais naturais, anteriores ao costume de repetir os ásanas. A instituição do sistema repetitivo é muito mais recente do que se imagina. As técnicas antigas, livres das limitações impostas pela repetição, tornavam-se ligadas entre si por encadeamentos espontâneos. No SwáSthya Yôga esses encadeamentos constituem movimentos de ligação entre os ásanas não
repetitivos nem estanques, o que predispõe à elaboração de execuções coreográficas.
Assim, [A] a não repetição, [B] as passagens (movimentos de ligação) e [C] as coreografias (com ásanas, mudrás, bandhas, kriyás, etc.), são consequências umas das outras, reciprocamente, e fazem parte desta terceira característica do SwáSthya Yôga.
As coreografias também não são uma criação contemporânea. Esse conceito remonta ao Yôga primitivo, do tempo em que o Homem não tinha religiões institucionalizadas e adorava o Sol. O último rudimento dessa maneira primitiva de execução coreográfica, é a mais ancestral prática do Yôga: o súrya namaskara!
Ocorre que o súrya namaskara é a única reminiscência de coreografia registrada nas lembranças do Yôga moderno. Não constitui, portanto, característica sua. Vale lembrar que o Hatha Yôga é um Yôga moderno, um dos últimos a surgir, já no século XI depois de Cristo, cerca de 4.000 anos após a origem primeira do Yôga.
Importante: o instrutor que declara ensinar SwáSthya Yôga, mas não monta a aula inteira com formato de coreografia não está transmitindo um SwáSthya 100% legítimo. Quem não consegue infundir nos seus alunos o entusiasmo pela prática em forma de coreografia, precisa fazer mais cursos e estreitar o contato com a nossa egrégora, pois ainda não compreendeu o ensinamento do codificador do SwáSthya Yôga.
4) PÚBLICO IDENTIFICADO
É fundamental que se compreenda: para tratar-se realmente de SwáSthya Yôga não basta a fidelidade ao método. É preciso que as pessoas que o praticam sejam o público identificado. Caso contrário, estarão tecnicamente praticando o método preconizado, mas, ao fim e ao cabo, não estarão exercendo o SwáSthya Yôga. Seria o mesmo que dispor da tecnologia certa para produzir um pão de excelente qualidade, mas querer fazê-lo com a farinha inadequada.
5) SENTIMENTO GREGÁRIO
O sentimento gregário é a força de coesão que nos fez crescer e tornar-nos tão fortes. Sentimento gregário é a energia que nos mobiliza para participar de todos os cursos, eventos, reuniões, viagens e festas do SwáSthya Yôga, pois isso nos dá prazer. Sentimento gregário é o sentimento de gratidão que eclode no nosso peito pelo privilégio de estar juntos e participando de tudo ao lado de pessoas tão especiais. É o poder invisível que nos confere sucesso em tudo o que fizermos, graças ao apoio que os colegas nos ofertam com a maior boa vontade. Sentimento gregário é a satisfação incontida com a qual compartilhamos nossas descobertas e dicas para o aprimoramento técnico, pedagógico, filosófico, ético etc.
Sentimento gregário é o que induz cada um de nós a perceber, bem no âmago da nossa alma, que fazer tudo isso, participar de tudo isso, não é uma obrigação, mas uma satisfação.
6) SERIEDADE SUPERLATIVA
Ao travar contato com a Nossa Cultura, uma das primeiras impressões observadas pelos estudiosos é a superlativa seriedade que se percebe nos nossos textos, linguagem e procedimentos. Essa seriedade manifesta-se em todos os níveis, desde a honestidade de propósitos – uma honestidade fundamentalista – até o cuidado extremado de não fazer nenhum tipo de doutrinação, nem proselitismo, nem promessas de terapia. Definitivamente, não se encontra tal cuidado na maior parte das demais modalidades de aprimoramento pessoal.
Fazemos questão absoluta de que nossos instrutores e alunos sejam rigorosamente éticos em todas as suas atitudes, tanto no nosso círculo cultural, quanto no trabalho, nas relações afetivas, na família e em todas as circunstâncias da vida. Devemos lembrar-nos de que, mesmo enquanto alunos, somos representantes do Yôga Antigo e a opinião pública julgará a validade da proposta a partir do nosso comportamento e imagem.
Em se tratando de dinheiro, saiba que é preferível perder o nobre metal a perder um amigo, ou perder o bom nome, ou perder a classe.
Devemos mostrar-nos profundamente responsáveis, maduros e honestos ao realizar negócios, ao fazer declarações, ao evitar conflitos, ao buscar aprimoramento em boas maneiras, ao cultivar a elegância e
a fidalguia. O mundo espera de nós um modelo de equilíbrio, especialmente quando tivermos a obrigação moral de defender corajosamente nossos direitos e aquilo ou aqueles em que acreditamos. Fugir à luta seria a mais desprezível covardia. Lutar com galhardia em defesa da justiça e da verdade é um atributo dos corajosos. Contudo, lutar com elegância e dignidade é algo que poucos conseguem conquistar.
7) ALEGRIA SINCERA
Seriedade e alegria não são mutuamente excludentes. Você pode ser uma pessoa contagiantemente alegre e, ao mesmo tempo, seriíssima dentro dos preceitos comportamentais que regem a vida em sociedade.
A alegria é saudável e nos predispõe a uma vida longa e feliz. A alegria esculpe nossa fisionomia para que denote mais juventude e simpatia. A alegria cativa e abre portas que, sem ela, nos custariam mais esforço. A alegria pode conquistar amigos sinceros e preservar as amizades antigas. Pode até salvar casamentos.
Um praticante de Yôga sem alegria é inconcebível. Se o Yôga traz felicidade, o sorriso e o comportamento descontraído são suas consequências inevitáveis.
No entanto, administre sua alegria para que não passe dos limites e não agrida os demais. Algumas pes-
soas quando ficam alegres tornam-se ruidosas, indelicadas e invasivas. Esse, obviamente, não é o caso do swáSthya yôgin.
8) LEALDADE INQUEBRANTÁVEL
Lealdade aos ideais, lealdade aos amigos, lealdade ao seu tipo de Yôga, lealdade ao Mestre, são também característica marcante do Yôga Antigo. No SwáSthya valorizamos até a lealdade aos clientes e aos fornecedores. Simbolicamente, somos leais mesmo aos nossos objetos e à nossa casa, procurando preservá-los e cultivar a estabilidade, ao evitar a substituição e a mudança pelo simples impulso de variar (Yôga chitta vritti nirôdhah). Há circunstâncias em que mudar faz parte da evolução e pode constituir a solução de um problema de estagnação. Nesse caso, é claro, não se trata de instabilidade emocional. O próprio Shiva, criador do Yôga, tem como um dos seus atributos a renovação.
Não há nada mais lindo que ser leal. Leal quando todos os demais já deixaram de sê-lo. Leal quando todas as evidências apontam contra o seu ente querido, pessoa amada, colega ou companheiro, mas você não teme comprometer-se e mantém-se leal até o fim.
Realmente, não há nada mais nobre que a lealdade, especialmente numa época em que tão poucos preservam essa virtude.
II. PRÁTICA ORTODOXA
SwáSthya Yôga é o próprio tronco de Yôga Pré-Clássico, após a sistematização. O SwáSthya Yôga mais autêntico é o ortodoxo, no qual cada prática é constituída pelas oito partes seguintes:
| 1. Mudrá |
Gesto reflexológico feito com as mãos; |
| 2. pújá (5) |
Retribuição ética de energia; |
| 3. mantra |
Vocalização de sons e ultra-sons; |
| 4. pránáyáma |
Expansão da bioenergia através de respiratórios; |
| 5. kriyá |
Atividade de purificação das mucosas; |
| 6. ásana |
Técnica corporal (não tem nada a ver com Ed. Física); |
| 7. yôganidrá |
Técnica de descontração; |
| 8. samyama |
Concentração, meditação e samádhi. |
Existem vários tipos de ashtánga sádhana. A estrutura acima é a primeira que o praticante aprende. Denomina-se ádi (seguido de palavra iniciada por vogal o i se transforma em y, ády). O segundo tipo é o viparíta ashtánga sádhana, para alunos graduados. Depois virão mahá, swa, manasika e gupta ashtánga sádhana, somente acessíveis a instrutores de Yôga.
Entretanto, se você não se identifica com esta forma mais completa, em oito partes, existe a opção denominada Prática Heterodoxa.
(5) O acento indica apenas onde está a sílaba longa, mas ocorre que, muitas vezes, a tônica está noutro lugar. Por exemplo: pújá pronuncia-se “púdja”; e yôganidrá pronuncia-se “yôganídra”.
III. PRÁTICA HETERODOXA
Esta variedade é totalmente flexível. A estrutura de cada prática é determinada pelo instrutor que a ministra. Portanto, a sessão pode ser constituída por um só anga, dois deles ou quantos o ministrante quiser utilizar, e na ordem que melhor lhe aprouver. Pode, por exemplo, ministrar um sádhana exclusivamente de ásana, ou de mantra, ou de pránáyáma, ou de samyama, ou de yôganidrá, etc. Ou pode combinar alguns deles à sua vontade. Ainda assim pode ser SwáSthya Yôga, desde que obedeça às demais características do método mencionadas no subtítulo I, deste capítulo (Características do SwáSthya) e desde que haja uma orientação generalizada de acordo com a filosofia que preconizamos.
Todavia, na aplicação desta alternativa o instrutor deverá, de preferência, utilizar todos os angas, conquanto possa fazê-lo em ocasiões diferentes e com intensidades variáveis. Dessa maneira, nas diversas aulas que ministrar durante o mês, terá proporcionado aos alunos a experimentação e os resultados de todos os oito angas.
O ideal é que o instrutor não adote somente a versão heterodoxa e sim que a combine com a ortodoxa, lecionando, por exemplo, duas vezes por semana, uma com a primeira e outra com a segunda modalidade de prática.
Já para os exames de habilitação de instrutores perante a Universidade Internacional de Yôga e pelas Federações Estaduais só é aceita a versão ortodoxa.